Coprofagia – O que fazer quando o animal come as próprias fezes? Descubra tudo aqui!

Publicado em 26/04/2021 por Shirley Motta

O assunto hoje é coprofagia! Nome complexo que significa: ato de comer tanto as próprias fezes (autocoprofagia) como também as fezes de outros animais (alocoprofagia) e, neste último caso, se o outro animal estiver contaminado com vermes por exemplo, isso pode sim ser um problema. Concordamos que não deve ser nada apetitoso esse hábito dos nossos amigos de 4 patas, além de deixar as lambidas carinhosas que recebemos depois um tanto quanto desagradáveis, não é mesmo? Então, porque alguns peludos têm esse hábito? Vamos entender!

São muitos os fatores que podem levar o animal a desenvolver esse hábito, desde de comportamentais, fisiológicos, doenças, giardíase, verminoses entre outras. Mas, a coprofagia não é assim um hábito tão asqueroso. Na natureza alguns animais consomem intencionalmente as fezes dos filhotes para que o cheiro não atraia predadores e também para que manter o ambiente limpo. 

Uma das causas que pode levar o animal a consumir as próprias fezes é o fato da dieta estar desbalanceada e o animal buscar assim, obter mais nutrientes e/ou mais calorias ou em razão de algum problema de má absorção, insuficiência hepática ou doenças intestinas. Por isso, é sempre recomendado consultar um profissional. Se for esse o motivo pelo qual seu animalzinho está comendo as fezes, o nutricionista pode fazer as adequações nutricionais na dieta, recomendar enzimas para auxiliar no processo da digestão, probióticos (bactérias saudáveis) e prebióticos (alimentos que nutrem essas bactérias) pois, às vezes, seu animal está institivamente buscando nas fezes só uma forma de adquirir essas bactérias benéficas. No intestino vivem cerca de 100 trilhões de microrganismos como bactérias, fungos, protozoários e vírus. A maioria dessa população vive em simbiose com animal e é extremamente benéfica dado que produz vitaminas B12 e K, ácidos graxos para nutrição das células do intestino. Porém, quando ocorre um desequilíbrio entre os microrganismos benéficos e maléficos damos o nome de disbiose (e falaremos mais para frente sobre isso) e quando isso acontece, não só a saúde digestiva do animal fica comprometida, mas também o animal pode desenvolver alergias, doenças auto-imunes e doença inflamatória intestinal crônica. 

Do ponto de vista comportamental as causas são igualmente diversas. Algumas vezes eles desenvolvem esse comportamento apenas para chamar a atenção do tutor e nesses casos é importante evitar broncas pois, o animal pode associar a bronca ao ato de defecar em si. E se isso acontecer ele poderá entender que não pode fazer cocô e para evitar que o tutor brigue, ele come para “se livrar” do problema, entendeu? Animais que ficam isolados ou confinados em espaços pequenos podem também desenvolver algum transtorno de ansiedade e passar a comer as próprias fezes. 

A coprofagia ainda pode estar ligada a raça! Sim, isso mesmo: a raça! De acordo com um estudo (disponibilizado no final desse artigo) realizado na Universidade da Califórnia, os pesquisadores concluíram que os Hounds e Terriers são mais propensos a coprofagia. Já os cães da raça poodles teriam menor predisposição para desenvolver a coprofagia.

Depois de descarta todas as possibilidades acima, pode ser que seu patudo tenha paladar peculiar e gostar do odor ou textura. Sim, pode acontecer! Alguns animais também, quando passam da ração para alimentação natural pode adquirir transitoriamente esse costume pois, a comidinha fresca estimula o apetite e como a digestão é mais rápida eles acabam ficando ansiosos por comida e podem inclusive achar apetitosas as fezes.

A coprofagia pode ser transitória como no caso de filhotes que são curiosos e gostam de explorar o mundo – não é mundo diferente da espécie humana. Mas cuidado, hábitos adquiridos nessa fase, são extremamente complicados de mudar. Cuide da alimentação e se certifique que os filhotes não estão sob algum estresse.

Como vimos as causas da coprofagia são as mais diversas e logicamente o tratamento depende do diagnóstico correto.  Mas, segue algumas dicas:

Causas alimentares podem ser resolvidas através de uma dieta balanceada e equilibrada;

Procure seu médico veterinário, faça o exame coproparasitológico para identificar corretamente o parasito e fazer o tratamento adequado;

Recolha as fezes imediatamente, não irá resolver o problema pois não foi diagnosticado a causa, porém, irá evitar que ele coma boa parte das fezes; 

Leve seu cão para passear e brinque com seu amigo de 4 patas, assim reduzirá o estresse; 

E, por fim, existem disponíveis no mercado alguns anti-coprofágico que podem tanto serem ingeridos ou pulverizados sobre as fezes, mas seu uso é questionável, portanto, procure sempre ajuda de um profissional. 

Espero que tenham gostado. Até o próximo artigo pessoal.

Referência citada: Hart, B.L., Hart, L.A., Thigpen, A.P., Tran, A. and Bain, M.J. (2018), The paradox of canine conspecific coprophagy. Vet Med Sci, 4: 106-114. https://doi.org/10.1002/vms3.92

Imagem em destaque: www.petlove.com.br

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