Nutrição x Câncer

Publicado em 14/06/2021 por Shirley Motta

Vamos descobrir como como a alimentação pode ajudar na prevenção e no tratamento dos pacientes oncológico?

Seu amiguinho peludo recebeu o diagnóstico do médico veterinário: câncer! Sabemos que é um momento extremamente delicado onde muitas perguntas vêm a nossa mente, além dos medos do que estar por vir, da insegurança do desconhecido e do sentimento de preocupação com o futuro do nosso animalzinho. 

E é compreensível toda essa apreensão, afinal estudos demostram que cerca de 45% dos cães com mais de 10 anos morrem de câncer. E, como a nutrição pode ajudar? Iniciaremos uma série de artigos onde irei abordar o papel da nutrição nas principais doenças que atingem nossos amigos de 4 patas. Mas, cabe aqui ressaltar a necessidade de seguir o tratamento prescrito pelo médico veterinário. Aqui iremos discutir apenas os aspectos nutricionais e ajustes dietéticos que podem melhorar a qualidade de vida dos nossos amiguinhos. 

Uma boa nutrição pode atuar de forma preventiva, mas também minimizando os efeitos colaterais durante e após o tratamento oncológico oferecendo uma melhor qualidade de vida aos animais. O câncer e/ou os seus tratamentos podem alterar o paladar, olfato, o apetite e a capacidade do animal se alimentar ou absorver nutrientes, podendo gerar um quadro de desnutrição e fazendo com que o animal se sinta fraco, cansado e, podendo inclusive contribuir para a progressão da doença. Por isso, torna-se necessário o acompanhamento do nutricionista a esses pacientes. 

Um dos grandes problemas do animal com câncer é a anorexia e a caquexia. A anorexia é a perda de apetite ou vontade de comer e a caquexia que nada mais é que a perda excessiva de peso. Em alguns casos o animal até consegue se alimentar corretamente, porém não conseguem armazenar gordura nem manter a massa muscular devido a doença. Portanto, o nosso maior desafio é reduzir a perda de peso corporal e de tecido magro.

Neste caso, o objetivo de uma boa nutrição para pacientes com câncer busca oferecer uma melhor qualidade de vida além de:

  • Estimular as defesas do organismo
  • Minimizar os efeitos adversos dos tratamentos
  • Aumentar a sobrevida  
  • Promover bem-estar
  • Reduzir a perda de peso corporal e de tecido magro

O nutricionista irá orientar planos dietéticos específicos de acordo com as necessidades específicas de cada animal, ajustando não apenas o tipo de alimento, a quantidade e a frequência, mas também a distribuição calórica da dieta, ou seja, da quantidade de energia que os animais precisam ingerir quanto dessa energia estará vindo das proteínas, das gorduras e dos carboidratos. E porque isso é importante? Sabemos que as células cancerígenas possuem mais receptores para glicose e isso significa que quanto mais glicose na dieta mais estaremos “alimentando” essas células, por esse motivo, normalmente optamos por dietas com baixa carga glicêmica.

Entendido isso há evidências científicas que alguns nutrientes específicos podem ser usados direta ou indiretamente no tratamento do câncer como: 

  • Proteínas

Dietas para pacientes oncológicos utilizamos moderada a elevada inclusão de alimentos proteicos (lembra que as células cancerígenas têm uma preferência por glicose?) visando prevenir que o animal perca as suas reservas corporais (caquexia); promover a função imune já que os anticorpos são proteínas! Podemos utilizar carnes, ovos, peixes ricos em ômega 3 e, caso o tipo de dieta seja cozida, cozinhe as carnes temperaturas moderadas para preservar aminoácidos importantes como taurina, canrnitina e arginina além de elementos como coenzima Q10, uma molécula que atua na proteção antioxidante das nossas células.

  • Gorduras 

As gorduras talvez sejam os nutrientes mais estudados para animais com câncer e o motivo já discutimos anteriormente se deve ao fato das células tumorais terem dificuldade em usar os lipídeos como fonte de energia além disso, a ingestão de moderado a elevados teores de gorduras não provoca picos de insulina/glicose. Como fontes podemos aqui citar, o abacate ou avocado, peixes, ovos, manteiga, iogurte integral, creme de leite (desde que animal não seja intolerante à lactose), óleos e carnes cujo corte apresenta maior teor de gorduras.

  • Vegetais e carboidratos

Os vegetais são importantes fontes de fibras, importantes para saúde intestinal e fitoquímicos, neste caso quanto mais coloridos e diversificados, melhor pois maior será variedade de fitoquímicos presentes. E aqui podemos citar as crucíferas que são excelentes doente de indol-3-cabinol, brócolis, rúcula, couve-flor, agrião, etc. Já os carboidratos, o ideal é que não ultrapasse 15% da dieta e se dê preferência aos carboidratos complexos como por exemplo quinoa, yacón e batata doce.

Algumas outras dicas importantes é que sempre que possível dê preferência aos alimentos orgânicos e aqueles da estação por serem mais fáceis de serem cultivados. Tente também cozinhá-los no vapor pois assim conserva-se mais os nutrientes e princípios ativos. E adicione no preparo alguns temperinhos como cúrcuma, coentro, tomilho, alecrim e orégano.

  • Ômega 3

Estudos demonstram que os ácidos graxos ômega-3, particularmente o EPA e o DHA, limitam o crescimento do tumor aumentando a susceptibilidade das células tumorais ao tratamento, reduzindo o risco de metástase e previnem a caquexia. 

  • Nutracêuticos

Podemos ainda usar alguns nutracêuticos, porém deve-se evitar o ácido glutâmico e o levedo de cerveja que é rico em vitamina B1 ou tiamina que podem favorecer o crescimento das células cancerígenas. Os probióticos para garantir um microbioma intestinal saudável o que irá garantir uma boa digestão e uma boa assimilação dos nutrientes. O kefir é um excelente pós-biótico mas também existem excelentes opções comerciais. 

Existem ainda diversos outros nutracêuticos como o transresveratrol ou ácido alfa-lipoico, epigalo catequina galato, Ganoderma lucidium entre outros que reduzem o crescimento das células cancerígenas assim como também promovem a apoptose, ou seja, a morte delas, modulam citocinas, inibem metástase entre outras funções. Por isso reforço: converse com seu nutricionista animal, ele poderá ajudar e muito vocês nesse momento.

E como um presentinho final deixo aqui uma receita de caldo de cogumelos medicinais comestíveis que irá turbinar o sistema imunológico do seu animalzinho.

Esse vídeo feito pela Dr Karen Becker e o Rodney Habib pode ser acessado no link:

https://www.youtube.com/watch?v=hY78UOuL4ig

O caldo pode ser congelado e fornecido em cubinhos ou sobre a refeição como forma preventiva.

Além de fortalecer o sistema imunológico, atuar como anticâncer, possui propriedades anti-inflamatórias e é um potente destoxificante do fígado. Façam e me contem depois. Um estudo de 2012 demonstrou que o princípio ativo do cogumelo Coriolus versicolor aumentou a expectativa em cães, portanto vale a pena ler o artigo que irei deixar abaixo. 

Espero que tenham gostado

Um grande beijinho e até o próximo artigo!

Referências citadas:

WITHROW, S.J.; MACEWEN, E.G. Cancer. In: Small animal clinical oncology. 4.ed. Philadelphia: W. B. Saunders Company, p.15-17, 2007.

Dorothy Cimino Brown, Jennifer Reetz, “Single Agent Polysaccharopeptide Delays Metastases and Improves Survival in Naturally Occurring Hemangiosarcoma”, Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, vol. 2012, Article ID 384301, 8 pages, 2012. 

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